02/09/15

Jovens vulneráveis ao trabalho escravo recebem qualificação

Iniciativa do Ação Integrada visa prevenção; atividades terão duração de seis meses

IMG-20150903-WA0007

Jovens dos municípios de Nortelândia, Acorizal, Rosário Oeste e Cuiabá iniciam nesta semana um período de desenvolvimento educacional e qualificação profissional com duração de aproximadamente seis meses, oportunizado pelo Ação Integrada e seus parceiros. A iniciativa possui caráter preventivo, já que os 20 selecionados, com idade entre 18 a 23 anos, foram identificados como sendo vulneráveis às condições análogas à escravidão.

Nos primeiros três meses, eles ficarão alojados na fazenda experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), localizada no município de Santo Antônio de Leverger.

Durante o restante do programa, os jovens serão integrados às fazendas das empresas parceiras do projeto, AMAGGI e Bom Futuro, onde passarão por uma fase de qualificação prática para mecanização de máquinas agrícolas.

Na avaliação de Marcelo Custodio, gerente de Remuneração, Benefícios e Administração de Pessoal da AMAGGI, a educação é um fator preponderante para auxiliar na preparação de profissionais para o futuro, criando oportunidades para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa.

IMG-20150831-WA0004

“Por esta razão apoiamos projetos como o Ação Integrada, que além de oportunizar chance para esses jovens se colocarem no mercado de trabalho, está em linha com alguns de nossos compromissos institucionais”, explica Marcelo.

A coordenadora de Desenvolvimento Organizacional do Grupo Bom Futuro, Simone Veras, informou que não é a primeira vez que a empresa desenvolve atividades junto ao Ação Integrada. Para ela, projetos do tipo deveriam ser mais intensificados na sociedade, pois permitem que os menos favorecidos tenham mais chances e oportunidades de ascender profissionalmente.

“O Ação Integrada é uma iniciativa muito bonita. Projetos assim são de extrema importância para a sociedade. Nossa empresa tem um compromisso com a responsabilidade social e, por isso, não só apoiamos o Ação Integrada, como também recomendamos que outras empresas façam o mesmo”, disse.

O presidente do Sistema Famato/Senar, Rui Prado, ressaltou ser uma satisfação integrar a iniciativa, pelo fato de o projeto, segundo ele, “possuir a capacidade de resgatar a dignidade humana, por meio da formação e do trabalho conduzidos de forma lícita”.

“As leis trabalhistas são fundamentais em qualquer atividade profissional e precisam ser obedecidas. No setor do agronegócio não é diferente. Mas é preciso também que a sociedade vá além, adotando políticas de recuperação dos egressos das condições degradantes”.

O curso

Do início ao fim do curso, os alunos receberão, além do alojamento e alimentação, um salário mínimo com carteira assinada.

Um dos beneficiários é Marcelo Júnior de Almeida, 18 anos natural de Acorizal, desde os 15 anos trabalha fazendo “bicos” na construção civil e, há um ano, abandonou os estudos, parando no segundo ano do ensino médio.

“Tive que largar (os estudos), pois tinha que trabalhar. Sou casado, preciso ganhar algum dinheiro”, justificou.

Ele, contudo, se mostrou animado com o início do curso e já faz planos para o futuro.

“Uma oportunidade como essa é muito boa; não podemos deixar passar. Quero passar em todas as provas que eu for fazer e crescer, evoluir. A intenção é de ser efetivado em uma das empresas. Minha esposa está me incentivando muito, o que me estimula”, afirmou.

O professor Itamar Bressan, da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (EJA), da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC), vê na parceria uma oportunidade de fornecer um pouco mais de dignidade e independência aos beneficiários.

“O público atendido nessa parceria encontra-se em uma situação de vulnerabilidade social. A elevação de escolaridade, por meio da oferta educacional na modalidade de EJA, é uma forma de garantir a essas pessoas a oportunidade de desenvolver um pensamento crítico-reflexivo, condição indispensável para que esses sujeitos sejam cidadãos autônomos e conscientes de seus direitos”, disse.

Por meio de nota, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) enfatizou que apoia toda iniciativa que puder trazer benefícios, intelectuais e sociais aos cidadãos, colaborando para uma sociedade mais digna e igual.

São parceiros também para a realização do curso a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP) e Corpo de Bombeiros de Mato Grosso.

Ação Integrada

Surgido em Mato Grosso, em 2009, o Ação Integrada é resultado de uma articulação entre a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE-MT), Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) e Fundação Uniselva da UFMT, com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Até o momento, foram realizados 36 cursos de formação, que resultaram na alfabetização e qualificação profissional de 643 pessoas. O Ação Integrada prestou atendimento em 83 municípios e 24 comunidades do Estado. O trabalho culminou na abordagem de 1828 trabalhadores, sendo que, desses, 547 foram resgatados de locais onde eram explorados. Outros 1281, identificados como sendo vulneráveis, também foram atendidos.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *