05/05/17

Empresa forma operadores de máquina agrícola no interior de Mato Grosso e ajuda a romper o ciclo do trabalho escravo

O treinamento profissional, que ocorre desde 2013, é uma parceria entre o Grupo Bom Futuro e o Ação Integrada

 

O programa Ação Integrada oferece cursos de formação profissional em parceria com o setor privado e a universidade (Foto: Ação Integrada)

 

“Eu acredito muito na questão da dignidade. Somos nós, o setor privado e produtivo, que podemos fazer a diferença.” Simone Veras, coordenadora do desenvolvimento organizacional do Grupo Bom Futuro, explica a motivação da empresa em integrar a iniciativa que oferece formação a trabalhadores vulneráveis ou resgatados do trabalho forçado.  Os cursos de mecanização agrícola para a soja e para o milho são ofertados na Fazenda São Miguel em Campo Verde (MT).

O Ação Integrada, programa que já beneficiou 700 trabalhadores desde seu surgimento em 2009, oferece também o treinamento para operador de máquinas e implementos agrícolas. Este outro curso é realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em sua Fazenda Experimental, no município de Santo Antônio do Leverger (MT). No entanto, a qualificação oferecida pelo Grupo Bom Futuro, que existe desde 2013, inova ao permitir a interiorização e facilitar o acesso dos trabalhadores ao conhecimento.

A primeira turma interiorizada surgiu a partir de sugestão do Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) e da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Mato Grosso (SRTE-MT). Simone lembra que havia muita evasão nas outras turmas, pois os alunos estavam longe da família e o tempo de deslocamento prejudicava o engajamento. “A interiorização facilita a integração com o ambiente rural”, explica a coordenadora. Uma vez que os estudantes escolhidos moram na região, já possuem algum entendimento sobre fazendas.

O aluno Igor de Almeida (19 anos) morava em Nova Brasilândia (MT), a aproximadamente 65 km de Campo Verde. Ele espera ser contratado e poder ajudar a sua família, retribuindo o auxílio que recebeu. “Construir a minha família, continuar na empresa, esse é o meu sonho”, relata.

O jovem recebeu informações sobre o Ação Integrada a partir da visita de uma assistente social no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de sua cidade. Igor foi selecionado para o curso devido à situação de vulnerabilidade que enfrentava. Ele trabalhava com serviços gerais, mas sem carteira assinada e recebendo a diária de 50 a 60 reais.

“Nosso maior desejo é trabalhar para ajudar a devolver a dignidade dos jovens que vêm de situação degradante”, enfatiza Simone. Segundo a coordenadora, muitos estudantes chegam na Fazenda São Miguel admirados, afirmando que a estrutura é de excelentes condições.

Ruan da Silva (20 anos), participante do treinamento, diz que sempre achou bonito os técnicos que usam e limpam as máquinas. O aluno teve acesso a equipamentos que só via pela televisão. “Eu abracei a oportunidade e estou dando o meu melhor.” Como o colega, Ruan também gostaria de continuar na empresa. “Eu gosto do que eu faço e não tem coisa melhor do que gostar do que faz.”

Igor e Ruan participam de uma turma de 13 estudantes. O conteúdo teórico do curso abrange 16 módulos e os primeiros momentos são dedicados aos temas de cidadania, ética e direitos trabalhistas. Segundo Simone, a formação pretende aliar o comportamento e a técnica. “A gente quer formar o profissional integrado”, justifica.

A prática profissional ocorre no último módulo. Há uma triagem para verificar os interesses dos participantes, que podem escolher entre a oficina mecânica e a operação de máquina. A partir de junho deste ano, há a previsão de início de uma nova turma. O calendário se alinha com o período da safra, garantindo que a fazenda estará em atividade durante o módulo prático.

Segundo Simone, o setor privado tem o papel de conscientizar e participar de políticas que mudem a realidade social. Dessa maneira, é possível desenvolver uma agricultura sustentável e digna. A experiência de Ruan comprova esta intenção. “A formação já mudou a minha vida. Mudou muita coisa, meu modo de pensar e a responsabilidade.”

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