03/09/15

Geraldo José: das lavouras de cana de açúcar a microempreendedor

Com 18 anos de idade o alagoano Geraldo José da Silva resolveu deixar a família em União dos Palmares, a cidade onde nasceu, para tentar uma vida melhor em Mato Grosso. Juntou o pouco das economias que possuía e pagou a viagem de ida ao “gato” – como era conhecido o agenciador responsável por trazer os trabalhadores à usina. Caminho percorrido por muitos como ele, atraídos pela promessa de um emprego com boa remuneração.

Em terras mato-grossenses, a promessa não vingou e Geraldo teve que conviver, durante quase todo o resto da vida, com a dura realidade do trabalho análogo ao escravo, sendo explorado nas lavouras de cana-de-açúcar. Somente em uma delas, a desativada Alcopan, localizada na comunidade conhecida como Chumbo (100 quilômetros de Cuiabá), entre idas e vindas, foram mais de 14 anos.

Analfabeto e sem ter aprendido outro ofício, tentava sair dessa vida, mas, na falta de trabalhos esporádicos, os chamados “bicos”, acabava sempre voltando. Cortando cana, ao menos um lugar para dormir, ainda que totalmente precário, e comida, havia de ganhar. Em troca, a submissão a uma jornada de trabalho extenuante, que começava às 4h da manhã e terminava apenas ao fim do dia, além de ter de ficar até mais de seis meses sem receber um tostão.

Trinta anos depois de sua chegada no Chumbo, o alagoano, hoje com 48 anos, continua a viver na localidade, mas numa situação bem diferente. Após ser resgatado em 2011 pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) de Mato Grosso e ter tido a oportunidade de participar do Ação Integrada, trabalhou na construção da Arena Pantanal, em Cuiabá. Com o dinheiro ganho na construção, onde atuou entre 2012 e metade de 2014, tornou-se horticultor de cultivos 100% orgânicos e transformou parte de sua moradia em lan house, vídeo-locadora e xerox.

Há 18 anos casado com a mesma mulher, Lurdes Silva Santos, que conheceu no Chumbo, o hoje empresário Geraldo José tira o sustento do próprio negócio e faz planos para o futuro.

“Não tem nada no mundo que não seja possível, só depende de força de vontade, e de pessoas dispostas a ajudar. Nunca estive tão bem”.

geraldo.horta

André Romeu/ Folhapress

Comentários

  • Maria de Lurdes S S says: 4 de novembro de 2016 às 14:05

    É isso aí! Sou a esposa dele e o considero um homem batalhador e uma pessoa muito esforçada .

  • Maria de Lurdes S S says: 4 de novembro de 2016 às 15:02

    É isso ai meu esposo e eu somos vencedores

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